domingo, 5 de dezembro de 2010

Dose.

O tempo não cura tudo, você se cura sozinho.
Mal de amor é como uma ressaca daquelas, primeiro você pensa que vai morrer e jura que nunca mais vai cometer esse erro, mas logo depois está pronto pra próxima como se nada tivesse acontecido.
E foi curando várias ressacas que eu fiquei assim mais dura, mais fria, mas sempre pronta pra próxima.
Posso dizer que aprendi muito com as minhas antigas loucuras, aprendi a confiar menos, aprendi a ser mais cínica, aprendi a mentir mais... Só que o mais importante foi ter aprendido a amar. Não a amar o próximo, mas sim a ter amor próprio, pois sem ele eu não teria dado conta de levantar a cabeça e dizer: 'To pronta, desce mais uma dose de romance.'
Confesso que quando é uma ressaca daquelas, ela não passa rápido e nunca vai embora sem deixar algum tipo de cicatriz, mas fazê-la passar só depende de você e de mais ninguém.
Afinal foi você que tomou todas aquelas doses de romance de uma vez só, viu o mundo todo girar e de uma hora pra outra ficou sem. É... É nessa hora que você se arrepende de todas as doses tomadas e deseja voltar atrás e esquecer-se de tudo. É difícil, mas só depende de você.
Na verdade esquecer é difícil pra todo mundo e sinceramente? A gente nunca esquece, só chega uma hora em que lembrar não dói mais e aquele mal estar vai aliviando.
E então quando tudo isso passa você se sente pronto pra outra dose, mas uma dose diferente... Que tal uma dose cheia de orgulho? Depois de umas doses assim eu sempre sinto alguma coisa... Algo parecido com a felicidade, mas não sei dizer, ainda é muito cedo.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Detalhe.

A saudade é um sentimento perigoso, ela nos força a fazer coisas que nos temos certeza de que vamos nos arrepender segundos depois.
Você pode falar mil vezes que nunca vai fazer e que nunca vai passar por uma situação dessas, mas mais cedo ou mais tarde ela chega. Chega de mansinho, vai tomando conta e você vai fazendo essas pequenas coisas como mandar uma mensagem falando um assunto qualquer, procura uma desculpa pra poder ligar nem que seja pra conversar por dois minutos e dai pra pior. Pensando que isso vai trazer tudo aquilo de volta, eu sei que você queria que trouxesse, mas não vai.
De nada adianta ficar chorando, procurando reviver todos os momentos olhando as fotos ao som daquela música que era só de vocês.
E de que adianta se sentir mal? Será que sair espalhando por ai o tanto que não está feliz vai ajudar em alguma coisa... A não ser que você queira passar o resto do ano chorando, não, não vai.
Ah... Agora você vai passar todas as noites bêbada? Beber ajuda, mas não cura.
Na verdade a única coisa que pode te curar é uma dose cheia de orgulho, experimenta tomar um pouco qualquer dia desses, aproveita levanta os ombros e siga em frente, afinal ele não foi o primeiro e nem vai ser o ultimo, só cabe a você decidir se vai deixar a parte boa da vida passar por causa desse pequeno detalhe, afinal na essência é tudo detalhe.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sintomas comuns.

Resolvi ir ao médico, tinha alguma coisa errada comigo e eu só não sabia o que.
Cheguei ao consultório e após muitas horas de espera finalmente fui atendida. Um médico com quase todos os cabelos grisalhos, sinal que já deve ter passado por muitas preocupações nessa vida, não é isso o que dizem?
Ele me cumprimentou e disse para contar o que estava sentindo.
Sentei-me em uma poltrona branca, que me deu uma vontade enorme de dormir, e lhe contei que o problema era realmente esse, eu não conseguia sentir.
Os olhos do médico se arregalaram e ele me perguntou: Explique melhor, não consegue sentir algum membro do seu corpo ou não sente absolutamente nada?
Pelo jeito que ele me olhou a minha explicação não tinha sido das melhores, então resolvi falar de outra forma: Doutor, eu não sinto nada. O livro não me prende a atenção, o programa mais engraçado da TV não me faz rir e as músicas que antes colocavam um sorriso em meu rosto agora eu não consigo mais escutar. E logo eu que dormia muito, não durmo mais, aquela sensação de bem estar que me acompanhava todo dia sumiu! Não sinto mais nada, sei que alguma coisa está errada.
Ele ficou me fitando por alguns minutos, perguntou mais algumas coisas e me mandou fazer uma bateria de exames. Fiquei preocupada, o que será que eu tinha que necessitava de tanto estudo?
Depois de algum tempo ele voltou, sentou na minha frente e disse: Várias pessoas vêm me procurar com os mesmos sintomas que você, isso é mais comum do que parece.
Fiquei pálida, e olha que isso é difícil, e logo perguntei: Mas é muito grave?
Ele deu um sorriso caloroso, que a muito tempo eu não tinha a oportunidade de ver, e disse: Não se preocupe, meu bem, isso que você esta sentindo são só sintomas da saudade. Só que o remédio as vezes aparece ou pode ser que ele nunca chegue, então se eu fosse você eu tentaria melhorar por conta própria.
Não posso negar que o que ele disse fez um sentido enorme, mas não me alegrou muito. Ele tinha acabado de me receitar o remédio mais difícil pra se encontrar, antes ele tivesse me passado algum comprimido ou injeção, mas não ele inventou de me receitar aquela tal força de vontade.
Ao ver a minha cara de desanimo, ele tratou logo de me reanimar: Esse remédio pode ser difícil de achar, mas confia, assim que você o encontrar as coisas vão melhorar de uma forma que você nem imagina.
Com isso ele deu a consulta como encerrada e então eu sai do médico com a receita na mão e a responsabilidade de achar a força de vontade o mais rápido possível.

domingo, 19 de setembro de 2010

Mil vezes.

Hoje foi de longe um dos piores dias do ano, sem exageros, parece que a minha imaginação tirou o dia pra acabar com o meu sossego, trazendo de brinde aquelas lágrimas que inventam de aparecer nas horas mais impróprias e demoram pra ir embora.
Mas mesmo assim eu continuava a dizer pra mim e para as pessoas que me perguntavam, que estava tudo bem, que o que estava me tirando o sossego iria passar. E então eu sorria para que eles pudessem acreditar que aquelas palavras eram verdadeiras.
Um dia me disseram que uma mentira contada mil vezes vira uma verdade. Então eu vou continuar dizendo que esta tudo bem e que vai passar, até que um dia seja verdade.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Incerto.

Nem o sim, nem o não. O que me enlouquece é o meio termo.
O problema é esse quase que me segue todos os dias; eu quase te amo, você é quase meu e essa relação é quase real.
Você não termina, nem começa nada. Quem sabe se fizesse algum dos dois eu iria conseguir dormir sem imaginar um milhão de coisas que eu não sei se vão acontecer, quem sabe assim eu conseguiria virar a página, engolir nossas histórias e começar de novo.
Adoro estar ao seu lado, mas essa alegria que vem e que passa ta me tirando do sério. Não sei se devo me entregar ou se devo recolher todos os sentimentos fingindo que nada aconteceu.
Sou cheia de incertezas, por um lado eu te quero intensamente, mas por outro eu tenho medo de que ao não conseguir te ter, meu coração se endureça novamente. Medo de que eu nunca passe do 'se', do 'talvez'.
E essa incerteza me entristece, me enche de dúvidas e, mesmo sem querer, eu vou me fechando, voltando a ter aquele medo de amar que eu tinha perdido ao te conhecer.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Do lado.

Que eu gosto você já sabe agora, meu bem, deixa eu te contar uma novidade. Esse gostar leva a esperar e a espera cria esperanças.
Não é que eu esteja imaginando futuros malucos ao teu lado e desejando que você seja só meu e de mais ninguém, a única coisa que eu quero é que o sentimento seja o mesmo.
Mas ninguém gosta de esperar. É... Eu não sou diferente, esperar não me agrada ainda mais quando é uma coisa assim tão incerta. Mas eu espero, aguardo todos os dias para que aquela parte boa chegue pra que o telefone toque e você me contando os assuntos mais engraçados do teu dia me faça esquecer o meu. Foi essa sensação boa que me fez gostar mais de você, só que a falta dela faz uma confusão terrível nos meus pensamentos.
A esperança é um sentimento engraçado né? Ao mesmo tempo em que a grande qualidade é não te fazer desistir, essa é também é um grave defeito. Ela não me deixa desistir, eu não consigo me deixar levar por esses pensamentos e simplesmente virar as costas e ir embora.
Pois é, ultimamente várias preocupações passam pela minha cabeça, mas quando olho pro lado a única que me dói é ver que você não esta aqui.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Seguindo outro compasso.

Esse relógio ta de sacanagem comigo, não é possível!
Hoje cedo, quando começou a ficar mais perto do nosso encontro, ele cismou em não se mexer.
Fiz tudo o que podia, passei por todos os canais da televisão, me arrumei e desarrumei milhões de vezes e aqueles ponteiros insistiam em ficar parados como se tivessem fazendo de propósito.
Mais à tarde, quando estava com você, eles devem ter acordado porque eu não sei como um filme de três horas passou em menos de um minuto e não me lembro quando foi que me mudei pra casa ao lado do shopping, porque essa é a única explicação pro tempo ter passado tão rápido, até parecia que ele tava querendo te roubar de mim.
Quando eu pensava que não poderia ficar pior, de repente ele para completamente. O motivo? Um simples abraço. Será que ele parou só pra me observar?
Como se não bastasse essa indecisão, ao ouvir você dizer que me adora ele pirou de vez, passava rápido e devagar ao mesmo tempo. Que loucura!
Não entendo o que deve ter acontecido com meu relógio, vai ver ele encontrou outro modo de medir o tempo, vai ver agora ele anda de acordo com os batimentos do meu coração.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Pra mim.

É interessante ver o bem que certas pessoas te fazem, aquela necessidade fútil de sair todos os dias e aproveitar cada gota do copo, como se fosse a ultima, passou. Eu que acordava acompanhada de mau humor e ironia hoje em dia acordo rindo pras paredes, tudo me parece tão mais leve. As músicas que antes não passavam de letras vagas com um ritmo bom, hoje ganham outro significado. Ando tento mais sonhos do que pesadelos.
Logo eu que sempre tive essa dificuldade de acreditar em certas historias, ontem acreditei em tudo o que você disse, em cada palavra, sem em nenhum momento colocar o pé atrás.
Foi naquela hora que, pra mim, o desapego deixou de ser a minha melhor companhia. Ele acabou sendo substituído por outro, um que não vem com garantia alguma de que vá durar ou de que sente o mesmo.
Nunca fui muito boa pra escrever, também nunca fui muito boa em falar sobre os meus sentimentos, mas hoje em dia, depois de alguns instantes ao seu lado, eu consigo escrever o que sinto com uma facilidade impressionante! E isso veio naturalmente, como gostar de você.
Eu penso que não preciso falar sobre esse assunto com outras pessoas, pois ele é só meu. Feito de momentos que foram meus, olhares dirigidos pra mim e mais ninguém.
Então eu não preciso contar pra ninguém, muito menos pra você, o bem que a sua companhia me faz e o frio na barriga que me da só de ouvir a sua voz, porque quando esse sentimento passar vai caber só a mim e não a você tentar esquecer.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Um sorriso e algumas sardas.

Era um dos domingos mais quentes do mês, certeza. E eu estava ali sentada no sofá, esperando o sol baixar, quando me veio uma súbita vontade de tomar açaí, aquelas vontades que quando vem você até consegue sentir o gostinho na boca. Marquei de ir tomar a noite, assim que meu compromisso acabasse.
Achei um lugar perfeito, quase vazio, que me faria ser atendida rapidamente. Sentei e aguardei que alguém viesse me atender. Foi quando me apareceu um sujeito um tanto quanto estranho, tinha algumas pulseiras daquelas que a gente encontra em feira hippie no braço e cantarolava alguma música da Rita Lee. Chegou, abriu um sorriso e me ofereceu um açaí, me espantei como ele sabia que era esse o meu pedido? Em menos de dois minutos ele colocou o açaí sobre a mesa, sem a granola, como se já soubesse dos meus gostos.
Na ansiedade de comer eu devo ter sujado o meu cabelo, pois quando eu estava prestes a começar a tomar aquele rapaz veio se abaixou bem perto de mim e disse: 'Você tem leite condensado no cabelo, meu bem. '
Não tive tempo de falar obrigado ou de pensar em me limpar, a minha atenção já era outro assunto. Como ele chegou bem perto, eu pude notar que ao sorrir algumas sardas apareciam. Fiquei ali parada, com cara de idiota, quando num movimento involuntário eu digo: 'acho charmoso quem têm sardas. '
Ele corou e eu agradeci pelo aviso em uma tentativa falha de diminuir a vergonha.
Aquele foi o açaí mais longo que já tomei certeza. Não sei se foi pelo fato dele vir encher a minha tigela toda vez que ela estava ficando vazia ou se foi porque eu que fiz questão de comer devagar para que ele pudesse passar mais vezes na minha mesa.
Nunca gostei muito de açaí, mas agora sinto vontade de tomar todos os dias só pra poder ser recebida com um sorriso e algumas sardas.

sábado, 7 de agosto de 2010

Visita.

Sábado, uma e meia da manhã e mesmo depois de tomar um litro de suco de maracujá eu ainda estou aqui, sem nenhum sinal do sono, como se tivesse passado o dia inteiro dormindo.
Já ouvi todas as músicas, como se elas fossem melhorar alguma coisa, mas acabo voltando a minha atenção praquela música em particular, você sabe... Aquela. E, sinceramente, isso não alivia nada.
Resolvi ocupar meu tempo fazendo uma limpeza, joguei fora coisas velhas na esperança que com elas esse sentimento também fosse embora, doce ilusão. Pensei que conseguiria controlar meu lado carente com um chocolate, é uma pena que o efeito não dura tempo suficiente.
Ler um livro não resolve, ver um filme não ajuda e quando eu vou deitar aparecem tantos pensamentos que fica difícil fechar os olhos.
Isso são horas? Me deixa dormir!
Prometi que não ia ligar e que, só por hoje, iria conseguir passar o dia sem você. Eu apenas não esperava a visita dessa velha amiga, que escolhe as melhores horas pra chegar e não tem hora pra sair. É... A saudade veio dar uma passadinha aqui e disse que só vai embora quando você voltar.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Você.

Vê se para!
Para de querer apagar o meu passado, quando quem não consegue controlar as lembranças é você. Para de culpar o meu jeito destrambelhado de falar tudo o que sinto quando eu sei que o que você queria era coragem pra falar as mesmas palavras e não venha falar desse meu medo de me apaixonar quando em você ele tem a mesma intensidade.
Então vê se para!
Esqueça o meu passado, nenhuma página virada vai voltar pra completar a que eu estou escrevendo agora, nenhuma frase que eu falo num impulso de chamar sua atenção tem tanta importancia como aquelas que eu falo no escuro do nosso quarto. E o meu medo? Ah, esse perde um pedaço a cada dia que a vontade de te ver me consome de um jeito que eu não consigo explicar.
Então vê se para!
Para pra perceber que nesse momento tudo que eu vejo é você.

sábado, 31 de julho de 2010

Tudo outra vez.

Até hoje eu não entendo porque as pessoas deixam o passado ter tanta influência nas suas vidas. Ontem fui visitar uma amiga, que chorando me contou que o seu namorado a havia traído e que ela nunca mais iria confiar em outra pessoa. Aquela conversa típica que se tem quando uma relação termina mal. Deixei ela desabafar e depois, do meu jeitinho, falei a minha opinião sobre o assunto. Disse que seria a maior idiotice deixar que uma pessoa tirasse dela a habilidade de confiar em outras. Pronto! Agora a sinceridade é um problema, ela me olhou como quem olha uma aberração e perguntou: 'Mas mesmo sabendo que pode acontecer tudo outra vez, que essa dor pode vir de novo e quem sabe até maior, mesmo assim, vale à pena?'
Fiquei pensando por alguns instantes no modo certo de falar e disse: 'Não importa o quanto você sofreu, no final alguém sempre ama mais! Você torce para que seja ele, mas se não for só nos resta apenas ter paciência e seguir adiante. Agora você me pergunta por que tentar de novo? Eu te digo com toda a sinceridade que se for pra ter aqueles momentos que são nossos e de mais ninguém, aquelas risadas que duram horas e não tem motivo algum, aquela música que toda vez que você escuta vem um sorriso faceiro no seu rosto e te lembra alguém, aquela hora em que tudo o que você precisa é um abraço e o recebe na hora certa, ou até só pra ouvir um Boa Noite antes de dormir. Se eu puder ter mais daquelas memórias que quando você lembra vem aquela vontade de rir e o pensamento de que os bons tempos eram aqueles, tudo vale à pena. Talvez não seja agora que vá acabar bem, ou talvez seja, não sei. Mas de uma coisa eu sei, não vou descobrir se não tentar. '
Ela continuou me encarando como se eu fosse a sem razão da história e voltou ao assunto anterior, choramingando a perda do antigo romance. Já eu não, eu estava em outro lugar. Aquelas lembranças boas tinham voltado e junto com elas apareceu um sorriso no meu rosto que me levou a pensar: 'Bons tempos aqueles.'

Entre um filme e um abraço.

Outro dia, entre um filme e um abraço, eu recebi um elogio que de longe foi um dos mais diferentes que já recebi: 'Você me da sono.' ele disse antes de virar e voltar sua atenção para a televisão.
Não consegui me concentrar pelo resto do filme, como assim eu dou sono? Será que eu sou tão cansativa como uma aula de história, ou as minhas conversas são tão lentas que fazem o mesmo efeito de uma música suave quando se esta cansado? Fiquei com essa frase na cabeça por alguns instantes, mas depois deixei pra lá, afinal, eu tinha coisas mais importantes pra fazer do que me preocupar com uma frase dita entre um filme e um abraço.
Marcamos de nos encontrar, de novo, um filme novo tinha aparecido. Ele arrumou as almofadas, eu sentei ao seu lado e quando o abracei enfim pude compreender o elogio que eu havia recebido há algumas semanas atrás. Veio-me a sensação de querer ficar naquele abraço, com os olhos fechados e a mente livre pelo resto do dia, ou quem sabe, pelo resto da semana. Aquela sensação que você tem quando esta prestes a adormecer e seus problemas ficam de lado, os seus olhos se recusam a abrir e o lugar onde você está é tão confortável que da aquela vontade de não levantar e ficar só ali, descansando.
É... Foi nesse dia que eu falei um elogio que foi um dos mais diferentes que já disse. Levantei, olhei pra ele e disse: 'Você me da sono.' e voltei a ver o filme.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Oi meu bem, tudo bom?

Hoje eu acordei com o coração apertado, talvez tenha sido porque a música do meu despertador foi um tanto quanto triste hoje ou quem sabe pela falta daquela mensagem recebida de madrugada que eu, sonolenta, deixo para ler de manhã. Não sei, só sei que hoje eu senti o desejo do desapego. Então, antes de sair de casa, fiz um plano de que hoje, somente hoje, eu não pensaria em você.
Comecei o dia bem e teria dado tudo certo se a rádio não estivesse de palhaçada comigo e insistisse em tocar todas aquelas músicas que me lembram você, tá, desliguei o som e guardei na bolsa. A manhã passou tranquila tirando o fato de que toda vez que alguem me contava alguma coisa engraçada ou quando eu via um assunto interessante passava aquela tal frase na minha cabeça: 'po, mais tarde eu vou ligar pra contar.' e eu liguei, mas só que pra outra pessoa, aquela pela qual a única coisa que você sente é a amizade. Pronto, meio caminho andado, na volta pra casa o som nem saiu da minha bolsa pra evitar que a rádio tentasse sacanear com meu plano de novo. Eu só não esperava que todos os carros parecidos com o seu estivessem na rua ao mesmo tempo que eu.
A tarde foi mais difícil do que pensei, o que fazer pra evitar um pensamento se as músicas que eu tenho, os sites que eu entro e até os jogos do meu computador me trazem memórias? Sai do computador e fui ver o que passava na televisão. Nossa! Foi a pior idéia do dia, não soube o que fazer quando todos os programas mostavam casais e os filmes, que me interessam, despertavam aquela vontade de compartilhar com alguem. Será que uma pessoa não consegue passar um dia sem ser bombardeada por essas lembranças todas?
Tá certo, vamos ler um livro então. Nada melhor pra distrair do que mergulhar em um outro mundo. A leitura ajudou bastante, ate eu adormecer.
Acordei assustada, não sei se pelo fato dos meus sonhos serem bem conturbados ou porque havia um celular tocando ao meu lado. Peguei o celular que tocava desesperadamente e li a seguinte mensagem: 'Oi Meu Bem, tudo bom?'
Não entendo como essa mensagem, que não deve ter demorado nem dois minutos pra ser escrita, conseguiu acabar com todo o meu plano.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Uma nova aula.

Um dia enquanto passava pela rua leio uma frase, particularmente diferente, em uma placa que tinha os dizeres: Aulas sobre a Arte de Evitar Ciúmes. Estranho, pensei, mas ja que estava de férias e sempre tive um grande problema em controlar essa emoção, em particular, resolvi me inscrever.
Na primeira aula, me aparece uma mulher e começa seu discurso:
'Primeiro conselho: nunca alimente sentimentos, essas esperanças vão fazer você desejar que a pessoa esteja sempre ao teu lado, também garanta que essa pessoa não seja a primeira que você pensa ao acordar e a única com a qual você sonha a noite, isso vai te fazer querer saber se a pessoa pensa o mesmo. Também devemos ressaltar que você não deve deixar-se levar pelo momento porque por mais que ele possa se tornar uma lembrança maravilhosa, isso te levará a criar expectativas de que ele só se repita com você. Vamos tentar também não nos envolver, não criar sentimentos. Resumindo, o fundamento principal para conseguir sucesso nesse curso que é manter o desapego.
Depois de fazer minhas anotações e um breve exercício para fixação consegui chegar a uma conclusão, levantei a mão, pedi para a professora se aproximar, e disse: 'Então você quer dizer, que a arte de evitar ciúmes é abrir mão de amar?'
Na mesma hora eu ganhei um diploma do curso, pois ja tinha chegado ao ponto principal da questão, o ciúme é a consequencia do gostar.
Sai da aula com os nervos a flor da pele, como que eu pude gastar meu dinheiro em algo assim? Se para parar de sentir ciúmes eu tenho que abrir mão dos meus sentimentos, eu prefiro ser considerada possessiva do que nunca mais sentir aquele friozinho na barriga.

A carta.

Passei a manhã escrevendo uma carta, três páginas cheias de pensamentos, pra te explicar e me fazer entender que tinha acabado. Depois de ler inúmeras vezes eu resolvi a colocar em um envelope e guardar onde só você pudesse ler.
Passei a tarde te explicando sobre a carta e tentando me fazer entender que não tinha mais volta. Você prometeu busca-la assim que pudesse, mas nunca pode. E então a carta ficou guardada naquele mesmo lugar, onde só você pudesse ler.
Passei um mes tentando me fazer entender porque você nunca pode vir, achei a carta guardada naquele mesmo lugar e tive uma súbita vontade de reescreve-la.
Abri o envelope, peguei a carta e apos apagar as velhas três páginas nela escrevi: Saudade.
Engraçado como essa nova carta me pareceu tão mais pesada que a outra, tantos sentimentos resumidos em uma palavra só.
Novamente peguei a carta e a coloquei em um envelope, só que dessa vez você foi lacrado junto com ela, você e a saudade. Joguei a carta fora e com ela, enfim, você pode ir e eu pude entender que acabou.