sábado, 31 de julho de 2010

Tudo outra vez.

Até hoje eu não entendo porque as pessoas deixam o passado ter tanta influência nas suas vidas. Ontem fui visitar uma amiga, que chorando me contou que o seu namorado a havia traído e que ela nunca mais iria confiar em outra pessoa. Aquela conversa típica que se tem quando uma relação termina mal. Deixei ela desabafar e depois, do meu jeitinho, falei a minha opinião sobre o assunto. Disse que seria a maior idiotice deixar que uma pessoa tirasse dela a habilidade de confiar em outras. Pronto! Agora a sinceridade é um problema, ela me olhou como quem olha uma aberração e perguntou: 'Mas mesmo sabendo que pode acontecer tudo outra vez, que essa dor pode vir de novo e quem sabe até maior, mesmo assim, vale à pena?'
Fiquei pensando por alguns instantes no modo certo de falar e disse: 'Não importa o quanto você sofreu, no final alguém sempre ama mais! Você torce para que seja ele, mas se não for só nos resta apenas ter paciência e seguir adiante. Agora você me pergunta por que tentar de novo? Eu te digo com toda a sinceridade que se for pra ter aqueles momentos que são nossos e de mais ninguém, aquelas risadas que duram horas e não tem motivo algum, aquela música que toda vez que você escuta vem um sorriso faceiro no seu rosto e te lembra alguém, aquela hora em que tudo o que você precisa é um abraço e o recebe na hora certa, ou até só pra ouvir um Boa Noite antes de dormir. Se eu puder ter mais daquelas memórias que quando você lembra vem aquela vontade de rir e o pensamento de que os bons tempos eram aqueles, tudo vale à pena. Talvez não seja agora que vá acabar bem, ou talvez seja, não sei. Mas de uma coisa eu sei, não vou descobrir se não tentar. '
Ela continuou me encarando como se eu fosse a sem razão da história e voltou ao assunto anterior, choramingando a perda do antigo romance. Já eu não, eu estava em outro lugar. Aquelas lembranças boas tinham voltado e junto com elas apareceu um sorriso no meu rosto que me levou a pensar: 'Bons tempos aqueles.'

Entre um filme e um abraço.

Outro dia, entre um filme e um abraço, eu recebi um elogio que de longe foi um dos mais diferentes que já recebi: 'Você me da sono.' ele disse antes de virar e voltar sua atenção para a televisão.
Não consegui me concentrar pelo resto do filme, como assim eu dou sono? Será que eu sou tão cansativa como uma aula de história, ou as minhas conversas são tão lentas que fazem o mesmo efeito de uma música suave quando se esta cansado? Fiquei com essa frase na cabeça por alguns instantes, mas depois deixei pra lá, afinal, eu tinha coisas mais importantes pra fazer do que me preocupar com uma frase dita entre um filme e um abraço.
Marcamos de nos encontrar, de novo, um filme novo tinha aparecido. Ele arrumou as almofadas, eu sentei ao seu lado e quando o abracei enfim pude compreender o elogio que eu havia recebido há algumas semanas atrás. Veio-me a sensação de querer ficar naquele abraço, com os olhos fechados e a mente livre pelo resto do dia, ou quem sabe, pelo resto da semana. Aquela sensação que você tem quando esta prestes a adormecer e seus problemas ficam de lado, os seus olhos se recusam a abrir e o lugar onde você está é tão confortável que da aquela vontade de não levantar e ficar só ali, descansando.
É... Foi nesse dia que eu falei um elogio que foi um dos mais diferentes que já disse. Levantei, olhei pra ele e disse: 'Você me da sono.' e voltei a ver o filme.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Oi meu bem, tudo bom?

Hoje eu acordei com o coração apertado, talvez tenha sido porque a música do meu despertador foi um tanto quanto triste hoje ou quem sabe pela falta daquela mensagem recebida de madrugada que eu, sonolenta, deixo para ler de manhã. Não sei, só sei que hoje eu senti o desejo do desapego. Então, antes de sair de casa, fiz um plano de que hoje, somente hoje, eu não pensaria em você.
Comecei o dia bem e teria dado tudo certo se a rádio não estivesse de palhaçada comigo e insistisse em tocar todas aquelas músicas que me lembram você, tá, desliguei o som e guardei na bolsa. A manhã passou tranquila tirando o fato de que toda vez que alguem me contava alguma coisa engraçada ou quando eu via um assunto interessante passava aquela tal frase na minha cabeça: 'po, mais tarde eu vou ligar pra contar.' e eu liguei, mas só que pra outra pessoa, aquela pela qual a única coisa que você sente é a amizade. Pronto, meio caminho andado, na volta pra casa o som nem saiu da minha bolsa pra evitar que a rádio tentasse sacanear com meu plano de novo. Eu só não esperava que todos os carros parecidos com o seu estivessem na rua ao mesmo tempo que eu.
A tarde foi mais difícil do que pensei, o que fazer pra evitar um pensamento se as músicas que eu tenho, os sites que eu entro e até os jogos do meu computador me trazem memórias? Sai do computador e fui ver o que passava na televisão. Nossa! Foi a pior idéia do dia, não soube o que fazer quando todos os programas mostavam casais e os filmes, que me interessam, despertavam aquela vontade de compartilhar com alguem. Será que uma pessoa não consegue passar um dia sem ser bombardeada por essas lembranças todas?
Tá certo, vamos ler um livro então. Nada melhor pra distrair do que mergulhar em um outro mundo. A leitura ajudou bastante, ate eu adormecer.
Acordei assustada, não sei se pelo fato dos meus sonhos serem bem conturbados ou porque havia um celular tocando ao meu lado. Peguei o celular que tocava desesperadamente e li a seguinte mensagem: 'Oi Meu Bem, tudo bom?'
Não entendo como essa mensagem, que não deve ter demorado nem dois minutos pra ser escrita, conseguiu acabar com todo o meu plano.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Uma nova aula.

Um dia enquanto passava pela rua leio uma frase, particularmente diferente, em uma placa que tinha os dizeres: Aulas sobre a Arte de Evitar Ciúmes. Estranho, pensei, mas ja que estava de férias e sempre tive um grande problema em controlar essa emoção, em particular, resolvi me inscrever.
Na primeira aula, me aparece uma mulher e começa seu discurso:
'Primeiro conselho: nunca alimente sentimentos, essas esperanças vão fazer você desejar que a pessoa esteja sempre ao teu lado, também garanta que essa pessoa não seja a primeira que você pensa ao acordar e a única com a qual você sonha a noite, isso vai te fazer querer saber se a pessoa pensa o mesmo. Também devemos ressaltar que você não deve deixar-se levar pelo momento porque por mais que ele possa se tornar uma lembrança maravilhosa, isso te levará a criar expectativas de que ele só se repita com você. Vamos tentar também não nos envolver, não criar sentimentos. Resumindo, o fundamento principal para conseguir sucesso nesse curso que é manter o desapego.
Depois de fazer minhas anotações e um breve exercício para fixação consegui chegar a uma conclusão, levantei a mão, pedi para a professora se aproximar, e disse: 'Então você quer dizer, que a arte de evitar ciúmes é abrir mão de amar?'
Na mesma hora eu ganhei um diploma do curso, pois ja tinha chegado ao ponto principal da questão, o ciúme é a consequencia do gostar.
Sai da aula com os nervos a flor da pele, como que eu pude gastar meu dinheiro em algo assim? Se para parar de sentir ciúmes eu tenho que abrir mão dos meus sentimentos, eu prefiro ser considerada possessiva do que nunca mais sentir aquele friozinho na barriga.

A carta.

Passei a manhã escrevendo uma carta, três páginas cheias de pensamentos, pra te explicar e me fazer entender que tinha acabado. Depois de ler inúmeras vezes eu resolvi a colocar em um envelope e guardar onde só você pudesse ler.
Passei a tarde te explicando sobre a carta e tentando me fazer entender que não tinha mais volta. Você prometeu busca-la assim que pudesse, mas nunca pode. E então a carta ficou guardada naquele mesmo lugar, onde só você pudesse ler.
Passei um mes tentando me fazer entender porque você nunca pode vir, achei a carta guardada naquele mesmo lugar e tive uma súbita vontade de reescreve-la.
Abri o envelope, peguei a carta e apos apagar as velhas três páginas nela escrevi: Saudade.
Engraçado como essa nova carta me pareceu tão mais pesada que a outra, tantos sentimentos resumidos em uma palavra só.
Novamente peguei a carta e a coloquei em um envelope, só que dessa vez você foi lacrado junto com ela, você e a saudade. Joguei a carta fora e com ela, enfim, você pode ir e eu pude entender que acabou.