segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sintomas comuns.

Resolvi ir ao médico, tinha alguma coisa errada comigo e eu só não sabia o que.
Cheguei ao consultório e após muitas horas de espera finalmente fui atendida. Um médico com quase todos os cabelos grisalhos, sinal que já deve ter passado por muitas preocupações nessa vida, não é isso o que dizem?
Ele me cumprimentou e disse para contar o que estava sentindo.
Sentei-me em uma poltrona branca, que me deu uma vontade enorme de dormir, e lhe contei que o problema era realmente esse, eu não conseguia sentir.
Os olhos do médico se arregalaram e ele me perguntou: Explique melhor, não consegue sentir algum membro do seu corpo ou não sente absolutamente nada?
Pelo jeito que ele me olhou a minha explicação não tinha sido das melhores, então resolvi falar de outra forma: Doutor, eu não sinto nada. O livro não me prende a atenção, o programa mais engraçado da TV não me faz rir e as músicas que antes colocavam um sorriso em meu rosto agora eu não consigo mais escutar. E logo eu que dormia muito, não durmo mais, aquela sensação de bem estar que me acompanhava todo dia sumiu! Não sinto mais nada, sei que alguma coisa está errada.
Ele ficou me fitando por alguns minutos, perguntou mais algumas coisas e me mandou fazer uma bateria de exames. Fiquei preocupada, o que será que eu tinha que necessitava de tanto estudo?
Depois de algum tempo ele voltou, sentou na minha frente e disse: Várias pessoas vêm me procurar com os mesmos sintomas que você, isso é mais comum do que parece.
Fiquei pálida, e olha que isso é difícil, e logo perguntei: Mas é muito grave?
Ele deu um sorriso caloroso, que a muito tempo eu não tinha a oportunidade de ver, e disse: Não se preocupe, meu bem, isso que você esta sentindo são só sintomas da saudade. Só que o remédio as vezes aparece ou pode ser que ele nunca chegue, então se eu fosse você eu tentaria melhorar por conta própria.
Não posso negar que o que ele disse fez um sentido enorme, mas não me alegrou muito. Ele tinha acabado de me receitar o remédio mais difícil pra se encontrar, antes ele tivesse me passado algum comprimido ou injeção, mas não ele inventou de me receitar aquela tal força de vontade.
Ao ver a minha cara de desanimo, ele tratou logo de me reanimar: Esse remédio pode ser difícil de achar, mas confia, assim que você o encontrar as coisas vão melhorar de uma forma que você nem imagina.
Com isso ele deu a consulta como encerrada e então eu sai do médico com a receita na mão e a responsabilidade de achar a força de vontade o mais rápido possível.

domingo, 19 de setembro de 2010

Mil vezes.

Hoje foi de longe um dos piores dias do ano, sem exageros, parece que a minha imaginação tirou o dia pra acabar com o meu sossego, trazendo de brinde aquelas lágrimas que inventam de aparecer nas horas mais impróprias e demoram pra ir embora.
Mas mesmo assim eu continuava a dizer pra mim e para as pessoas que me perguntavam, que estava tudo bem, que o que estava me tirando o sossego iria passar. E então eu sorria para que eles pudessem acreditar que aquelas palavras eram verdadeiras.
Um dia me disseram que uma mentira contada mil vezes vira uma verdade. Então eu vou continuar dizendo que esta tudo bem e que vai passar, até que um dia seja verdade.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Incerto.

Nem o sim, nem o não. O que me enlouquece é o meio termo.
O problema é esse quase que me segue todos os dias; eu quase te amo, você é quase meu e essa relação é quase real.
Você não termina, nem começa nada. Quem sabe se fizesse algum dos dois eu iria conseguir dormir sem imaginar um milhão de coisas que eu não sei se vão acontecer, quem sabe assim eu conseguiria virar a página, engolir nossas histórias e começar de novo.
Adoro estar ao seu lado, mas essa alegria que vem e que passa ta me tirando do sério. Não sei se devo me entregar ou se devo recolher todos os sentimentos fingindo que nada aconteceu.
Sou cheia de incertezas, por um lado eu te quero intensamente, mas por outro eu tenho medo de que ao não conseguir te ter, meu coração se endureça novamente. Medo de que eu nunca passe do 'se', do 'talvez'.
E essa incerteza me entristece, me enche de dúvidas e, mesmo sem querer, eu vou me fechando, voltando a ter aquele medo de amar que eu tinha perdido ao te conhecer.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Do lado.

Que eu gosto você já sabe agora, meu bem, deixa eu te contar uma novidade. Esse gostar leva a esperar e a espera cria esperanças.
Não é que eu esteja imaginando futuros malucos ao teu lado e desejando que você seja só meu e de mais ninguém, a única coisa que eu quero é que o sentimento seja o mesmo.
Mas ninguém gosta de esperar. É... Eu não sou diferente, esperar não me agrada ainda mais quando é uma coisa assim tão incerta. Mas eu espero, aguardo todos os dias para que aquela parte boa chegue pra que o telefone toque e você me contando os assuntos mais engraçados do teu dia me faça esquecer o meu. Foi essa sensação boa que me fez gostar mais de você, só que a falta dela faz uma confusão terrível nos meus pensamentos.
A esperança é um sentimento engraçado né? Ao mesmo tempo em que a grande qualidade é não te fazer desistir, essa é também é um grave defeito. Ela não me deixa desistir, eu não consigo me deixar levar por esses pensamentos e simplesmente virar as costas e ir embora.
Pois é, ultimamente várias preocupações passam pela minha cabeça, mas quando olho pro lado a única que me dói é ver que você não esta aqui.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Seguindo outro compasso.

Esse relógio ta de sacanagem comigo, não é possível!
Hoje cedo, quando começou a ficar mais perto do nosso encontro, ele cismou em não se mexer.
Fiz tudo o que podia, passei por todos os canais da televisão, me arrumei e desarrumei milhões de vezes e aqueles ponteiros insistiam em ficar parados como se tivessem fazendo de propósito.
Mais à tarde, quando estava com você, eles devem ter acordado porque eu não sei como um filme de três horas passou em menos de um minuto e não me lembro quando foi que me mudei pra casa ao lado do shopping, porque essa é a única explicação pro tempo ter passado tão rápido, até parecia que ele tava querendo te roubar de mim.
Quando eu pensava que não poderia ficar pior, de repente ele para completamente. O motivo? Um simples abraço. Será que ele parou só pra me observar?
Como se não bastasse essa indecisão, ao ouvir você dizer que me adora ele pirou de vez, passava rápido e devagar ao mesmo tempo. Que loucura!
Não entendo o que deve ter acontecido com meu relógio, vai ver ele encontrou outro modo de medir o tempo, vai ver agora ele anda de acordo com os batimentos do meu coração.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Pra mim.

É interessante ver o bem que certas pessoas te fazem, aquela necessidade fútil de sair todos os dias e aproveitar cada gota do copo, como se fosse a ultima, passou. Eu que acordava acompanhada de mau humor e ironia hoje em dia acordo rindo pras paredes, tudo me parece tão mais leve. As músicas que antes não passavam de letras vagas com um ritmo bom, hoje ganham outro significado. Ando tento mais sonhos do que pesadelos.
Logo eu que sempre tive essa dificuldade de acreditar em certas historias, ontem acreditei em tudo o que você disse, em cada palavra, sem em nenhum momento colocar o pé atrás.
Foi naquela hora que, pra mim, o desapego deixou de ser a minha melhor companhia. Ele acabou sendo substituído por outro, um que não vem com garantia alguma de que vá durar ou de que sente o mesmo.
Nunca fui muito boa pra escrever, também nunca fui muito boa em falar sobre os meus sentimentos, mas hoje em dia, depois de alguns instantes ao seu lado, eu consigo escrever o que sinto com uma facilidade impressionante! E isso veio naturalmente, como gostar de você.
Eu penso que não preciso falar sobre esse assunto com outras pessoas, pois ele é só meu. Feito de momentos que foram meus, olhares dirigidos pra mim e mais ninguém.
Então eu não preciso contar pra ninguém, muito menos pra você, o bem que a sua companhia me faz e o frio na barriga que me da só de ouvir a sua voz, porque quando esse sentimento passar vai caber só a mim e não a você tentar esquecer.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Um sorriso e algumas sardas.

Era um dos domingos mais quentes do mês, certeza. E eu estava ali sentada no sofá, esperando o sol baixar, quando me veio uma súbita vontade de tomar açaí, aquelas vontades que quando vem você até consegue sentir o gostinho na boca. Marquei de ir tomar a noite, assim que meu compromisso acabasse.
Achei um lugar perfeito, quase vazio, que me faria ser atendida rapidamente. Sentei e aguardei que alguém viesse me atender. Foi quando me apareceu um sujeito um tanto quanto estranho, tinha algumas pulseiras daquelas que a gente encontra em feira hippie no braço e cantarolava alguma música da Rita Lee. Chegou, abriu um sorriso e me ofereceu um açaí, me espantei como ele sabia que era esse o meu pedido? Em menos de dois minutos ele colocou o açaí sobre a mesa, sem a granola, como se já soubesse dos meus gostos.
Na ansiedade de comer eu devo ter sujado o meu cabelo, pois quando eu estava prestes a começar a tomar aquele rapaz veio se abaixou bem perto de mim e disse: 'Você tem leite condensado no cabelo, meu bem. '
Não tive tempo de falar obrigado ou de pensar em me limpar, a minha atenção já era outro assunto. Como ele chegou bem perto, eu pude notar que ao sorrir algumas sardas apareciam. Fiquei ali parada, com cara de idiota, quando num movimento involuntário eu digo: 'acho charmoso quem têm sardas. '
Ele corou e eu agradeci pelo aviso em uma tentativa falha de diminuir a vergonha.
Aquele foi o açaí mais longo que já tomei certeza. Não sei se foi pelo fato dele vir encher a minha tigela toda vez que ela estava ficando vazia ou se foi porque eu que fiz questão de comer devagar para que ele pudesse passar mais vezes na minha mesa.
Nunca gostei muito de açaí, mas agora sinto vontade de tomar todos os dias só pra poder ser recebida com um sorriso e algumas sardas.