Olha só...
não conta pra ninguém.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Digníssimo.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Amigos do tempo.
Quando eu era pequena, eu tinha muito medo de ficar sozinha. Os outros achavam que era mal de filho único e sempre falavam pra minha mãe me arrumar um irmãozinho. Bem, não sei se isso ia melhorar alguma coisa, mas até hoje eu sinto vontade de ter alguém pra encher o saco toda hora. Vai ver foi por isso que eu sempre tive muitos amigos, essa mania de falar demais tem essa consequência boa. E cada um deles me completava de uma forma diferente, porque eu não conseguia andar com pessoas iguais a mim. Se eu já me acho insuportável imagine ter que aguentar uma pessoa que fosse parecida comigo? Não...
Então deve ser por isso que eu sempre tratei meus amigos como irmãos, as vezes fazia coisas que eu não gostava só pra vê-los felizes, sempre estava lá para ouvir e falar umas besteiras quando era necessário. Eu pensava que isso era amizade, o que eu não sabia era que quem tem muitos amigos acaba perdendo alguns pelo caminho...
Sinto saudade de cada um daqueles que ficou pra trás e sinto uma vontade inenarrável de tê-los de volta. Mas como nada nessa vida é fácil assim, tê-los de volta não é uma coisa rápida porque o tempo... Ah o tempo é um belo de um sacana. Mesmo que ele traga alguém de volta, as coisas não serão mais como antes e isso, me desculpe a sinceridade da palavra, é uma merda. Vamos lá, pensa comigo, quando você tem uma pessoa de volta você espera que ela siga um roteiro que você imaginou e já ensaiou as falas mil vezes, mas isso nunca acontece. As pessoas são teimosas e nunca seguem o seu diálogo imaginário. E isso, meu caro, acaba causando problemas.
E foi no meio de um desses problemas que eu me fechei, lá vem o mal do filho único de novo, e decidi que eu não precisava ligar pros meus mil de amigos pra poder fazer meu dia, eu vi que podia me virar muito bem sozinha e que, por incrível que pareça, eu era boa nisso. E foi nesse dia que eu parei de fazer tudo por todo mundo e por uma estranha coincidência foi exatamente nesse dia que eles viraram melhores amigos do tempo e foram embora.
Pois é... Uma hora a gente tem que aprender que nem tudo o que você faz por eles, eles fazem por você, mas sempre tem aqueles... Sabe? Aqueles que nunca pedem nada e te dão de presente mil sorrisos por dia? Ah... Por esses você faz tudo o que for preciso, nem que pra isso você tenha que escrever o seu diálogo imaginário para eles decorarem, porque esses não tem tanta intimidade assim com o tempo e eu posso te dizer, com toda a certeza, que eles não vão embora.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Talvez
domingo, 5 de dezembro de 2010
Dose.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Detalhe.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Sintomas comuns.
Cheguei ao consultório e após muitas horas de espera finalmente fui atendida. Um médico com quase todos os cabelos grisalhos, sinal que já deve ter passado por muitas preocupações nessa vida, não é isso o que dizem?
Ele me cumprimentou e disse para contar o que estava sentindo.
Sentei-me em uma poltrona branca, que me deu uma vontade enorme de dormir, e lhe contei que o problema era realmente esse, eu não conseguia sentir.
Os olhos do médico se arregalaram e ele me perguntou: Explique melhor, não consegue sentir algum membro do seu corpo ou não sente absolutamente nada?
Pelo jeito que ele me olhou a minha explicação não tinha sido das melhores, então resolvi falar de outra forma: Doutor, eu não sinto nada. O livro não me prende a atenção, o programa mais engraçado da TV não me faz rir e as músicas que antes colocavam um sorriso em meu rosto agora eu não consigo mais escutar. E logo eu que dormia muito, não durmo mais, aquela sensação de bem estar que me acompanhava todo dia sumiu! Não sinto mais nada, sei que alguma coisa está errada.
Ele ficou me fitando por alguns minutos, perguntou mais algumas coisas e me mandou fazer uma bateria de exames. Fiquei preocupada, o que será que eu tinha que necessitava de tanto estudo?
Depois de algum tempo ele voltou, sentou na minha frente e disse: Várias pessoas vêm me procurar com os mesmos sintomas que você, isso é mais comum do que parece.
Fiquei pálida, e olha que isso é difícil, e logo perguntei: Mas é muito grave?
Ele deu um sorriso caloroso, que a muito tempo eu não tinha a oportunidade de ver, e disse: Não se preocupe, meu bem, isso que você esta sentindo são só sintomas da saudade. Só que o remédio as vezes aparece ou pode ser que ele nunca chegue, então se eu fosse você eu tentaria melhorar por conta própria.
Não posso negar que o que ele disse fez um sentido enorme, mas não me alegrou muito. Ele tinha acabado de me receitar o remédio mais difícil pra se encontrar, antes ele tivesse me passado algum comprimido ou injeção, mas não ele inventou de me receitar aquela tal força de vontade.
Ao ver a minha cara de desanimo, ele tratou logo de me reanimar: Esse remédio pode ser difícil de achar, mas confia, assim que você o encontrar as coisas vão melhorar de uma forma que você nem imagina.
Com isso ele deu a consulta como encerrada e então eu sai do médico com a receita na mão e a responsabilidade de achar a força de vontade o mais rápido possível.