sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Digníssimo.

Não é estranho como a partir do momento que a gente se apega a uma pessoa nova, tudo a nossa volta muda?
A lista aleatória do seu Ipod tem mil músicas pra tocar, mas toda hora que você quer ouvir alguma coisa ta passando aquela bendita música que te lembra o digníssimo novo amor. E o rádio então? Nem vou comentar! Existem cem estações, cada uma com mil músicas e eu tenho a sorte, ou não, de ouvir a mesma música em todas elas.
Como se não fosse loucura suficiente em cada lugar que você vai começa a enxergar o carro do dito cujo! Aquele carro que antes dele você nem sabia que tinham fabricado.
Tá, ai você pensa que pior que isso não pode ficar, mas fica! E fica quando você começa a achar que todas as pessoas da cidade resolveram perguntar pra ele qual perfume ele usa pra poderem usar também, porque olha... nunca senti tanto o cheiro desse perfume como agora. E eu nem gosto!
É nessa hora que eu me pergunto sera que essas coisas sempre estiveram lá e eu nunca prestei atenção? Ou vai ver tudo isso é coisa da minha cabeça e do meu coração estúpido que só começou a ver a graça nas coisas quando você chegou.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Amigos do tempo.

Quando eu era pequena, eu tinha muito medo de ficar sozinha. Os outros achavam que era mal de filho único e sempre falavam pra minha mãe me arrumar um irmãozinho. Bem, não sei se isso ia melhorar alguma coisa, mas até hoje eu sinto vontade de ter alguém pra encher o saco toda hora. Vai ver foi por isso que eu sempre tive muitos amigos, essa mania de falar demais tem essa consequência boa. E cada um deles me completava de uma forma diferente, porque eu não conseguia andar com pessoas iguais a mim. Se eu já me acho insuportável imagine ter que aguentar uma pessoa que fosse parecida comigo? Não...

Então deve ser por isso que eu sempre tratei meus amigos como irmãos, as vezes fazia coisas que eu não gostava só pra vê-los felizes, sempre estava lá para ouvir e falar umas besteiras quando era necessário. Eu pensava que isso era amizade, o que eu não sabia era que quem tem muitos amigos acaba perdendo alguns pelo caminho...

Sinto saudade de cada um daqueles que ficou pra trás e sinto uma vontade inenarrável de tê-los de volta. Mas como nada nessa vida é fácil assim, tê-los de volta não é uma coisa rápida porque o tempo... Ah o tempo é um belo de um sacana. Mesmo que ele traga alguém de volta, as coisas não serão mais como antes e isso, me desculpe a sinceridade da palavra, é uma merda. Vamos lá, pensa comigo, quando você tem uma pessoa de volta você espera que ela siga um roteiro que você imaginou e já ensaiou as falas mil vezes, mas isso nunca acontece. As pessoas são teimosas e nunca seguem o seu diálogo imaginário. E isso, meu caro, acaba causando problemas.

E foi no meio de um desses problemas que eu me fechei, lá vem o mal do filho único de novo, e decidi que eu não precisava ligar pros meus mil de amigos pra poder fazer meu dia, eu vi que podia me virar muito bem sozinha e que, por incrível que pareça, eu era boa nisso. E foi nesse dia que eu parei de fazer tudo por todo mundo e por uma estranha coincidência foi exatamente nesse dia que eles viraram melhores amigos do tempo e foram embora.

Pois é... Uma hora a gente tem que aprender que nem tudo o que você faz por eles, eles fazem por você, mas sempre tem aqueles... Sabe? Aqueles que nunca pedem nada e te dão de presente mil sorrisos por dia? Ah... Por esses você faz tudo o que for preciso, nem que pra isso você tenha que escrever o seu diálogo imaginário para eles decorarem, porque esses não tem tanta intimidade assim com o tempo e eu posso te dizer, com toda a certeza, que eles não vão embora.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Talvez

Desde quando a gente se viu muita coisa mudou, conheci pessoas que hoje tem uma importância inexplicável pra mim, comecei a andar com aquelas pessoas malucas sobre as quais você sempre me dizia pra evitar, enfim eu matei a minha vontade de liberdade na unha. Saindo de casa sem rumo e sempre voltando com o caderno recheado de histórias sem um pingo de controle, bebendo e comendo o que não devia e acordando com uma ressaca cheia de arrependimento. Ando errando muito, mas pelo menos posso te garantir que estou me divertindo como nunca.
E é no meio dessa loucura que o teu rosto foge da minha memória, por alguns instantes eu nem lembro como era o som da sua voz. Ah se eu conseguisse fazer isso durar, mas eu insisto em guardar uma foto sua e é pra ela que eu olho quando as memórias começam a correr de mim.
Não sei... Talvez eu goste mesmo de sofrer, ou talvez eu só goste mesmo de você.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Dose.

O tempo não cura tudo, você se cura sozinho.
Mal de amor é como uma ressaca daquelas, primeiro você pensa que vai morrer e jura que nunca mais vai cometer esse erro, mas logo depois está pronto pra próxima como se nada tivesse acontecido.
E foi curando várias ressacas que eu fiquei assim mais dura, mais fria, mas sempre pronta pra próxima.
Posso dizer que aprendi muito com as minhas antigas loucuras, aprendi a confiar menos, aprendi a ser mais cínica, aprendi a mentir mais... Só que o mais importante foi ter aprendido a amar. Não a amar o próximo, mas sim a ter amor próprio, pois sem ele eu não teria dado conta de levantar a cabeça e dizer: 'To pronta, desce mais uma dose de romance.'
Confesso que quando é uma ressaca daquelas, ela não passa rápido e nunca vai embora sem deixar algum tipo de cicatriz, mas fazê-la passar só depende de você e de mais ninguém.
Afinal foi você que tomou todas aquelas doses de romance de uma vez só, viu o mundo todo girar e de uma hora pra outra ficou sem. É... É nessa hora que você se arrepende de todas as doses tomadas e deseja voltar atrás e esquecer-se de tudo. É difícil, mas só depende de você.
Na verdade esquecer é difícil pra todo mundo e sinceramente? A gente nunca esquece, só chega uma hora em que lembrar não dói mais e aquele mal estar vai aliviando.
E então quando tudo isso passa você se sente pronto pra outra dose, mas uma dose diferente... Que tal uma dose cheia de orgulho? Depois de umas doses assim eu sempre sinto alguma coisa... Algo parecido com a felicidade, mas não sei dizer, ainda é muito cedo.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Detalhe.

A saudade é um sentimento perigoso, ela nos força a fazer coisas que nos temos certeza de que vamos nos arrepender segundos depois.
Você pode falar mil vezes que nunca vai fazer e que nunca vai passar por uma situação dessas, mas mais cedo ou mais tarde ela chega. Chega de mansinho, vai tomando conta e você vai fazendo essas pequenas coisas como mandar uma mensagem falando um assunto qualquer, procura uma desculpa pra poder ligar nem que seja pra conversar por dois minutos e dai pra pior. Pensando que isso vai trazer tudo aquilo de volta, eu sei que você queria que trouxesse, mas não vai.
De nada adianta ficar chorando, procurando reviver todos os momentos olhando as fotos ao som daquela música que era só de vocês.
E de que adianta se sentir mal? Será que sair espalhando por ai o tanto que não está feliz vai ajudar em alguma coisa... A não ser que você queira passar o resto do ano chorando, não, não vai.
Ah... Agora você vai passar todas as noites bêbada? Beber ajuda, mas não cura.
Na verdade a única coisa que pode te curar é uma dose cheia de orgulho, experimenta tomar um pouco qualquer dia desses, aproveita levanta os ombros e siga em frente, afinal ele não foi o primeiro e nem vai ser o ultimo, só cabe a você decidir se vai deixar a parte boa da vida passar por causa desse pequeno detalhe, afinal na essência é tudo detalhe.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sintomas comuns.

Resolvi ir ao médico, tinha alguma coisa errada comigo e eu só não sabia o que.
Cheguei ao consultório e após muitas horas de espera finalmente fui atendida. Um médico com quase todos os cabelos grisalhos, sinal que já deve ter passado por muitas preocupações nessa vida, não é isso o que dizem?
Ele me cumprimentou e disse para contar o que estava sentindo.
Sentei-me em uma poltrona branca, que me deu uma vontade enorme de dormir, e lhe contei que o problema era realmente esse, eu não conseguia sentir.
Os olhos do médico se arregalaram e ele me perguntou: Explique melhor, não consegue sentir algum membro do seu corpo ou não sente absolutamente nada?
Pelo jeito que ele me olhou a minha explicação não tinha sido das melhores, então resolvi falar de outra forma: Doutor, eu não sinto nada. O livro não me prende a atenção, o programa mais engraçado da TV não me faz rir e as músicas que antes colocavam um sorriso em meu rosto agora eu não consigo mais escutar. E logo eu que dormia muito, não durmo mais, aquela sensação de bem estar que me acompanhava todo dia sumiu! Não sinto mais nada, sei que alguma coisa está errada.
Ele ficou me fitando por alguns minutos, perguntou mais algumas coisas e me mandou fazer uma bateria de exames. Fiquei preocupada, o que será que eu tinha que necessitava de tanto estudo?
Depois de algum tempo ele voltou, sentou na minha frente e disse: Várias pessoas vêm me procurar com os mesmos sintomas que você, isso é mais comum do que parece.
Fiquei pálida, e olha que isso é difícil, e logo perguntei: Mas é muito grave?
Ele deu um sorriso caloroso, que a muito tempo eu não tinha a oportunidade de ver, e disse: Não se preocupe, meu bem, isso que você esta sentindo são só sintomas da saudade. Só que o remédio as vezes aparece ou pode ser que ele nunca chegue, então se eu fosse você eu tentaria melhorar por conta própria.
Não posso negar que o que ele disse fez um sentido enorme, mas não me alegrou muito. Ele tinha acabado de me receitar o remédio mais difícil pra se encontrar, antes ele tivesse me passado algum comprimido ou injeção, mas não ele inventou de me receitar aquela tal força de vontade.
Ao ver a minha cara de desanimo, ele tratou logo de me reanimar: Esse remédio pode ser difícil de achar, mas confia, assim que você o encontrar as coisas vão melhorar de uma forma que você nem imagina.
Com isso ele deu a consulta como encerrada e então eu sai do médico com a receita na mão e a responsabilidade de achar a força de vontade o mais rápido possível.

domingo, 19 de setembro de 2010

Mil vezes.

Hoje foi de longe um dos piores dias do ano, sem exageros, parece que a minha imaginação tirou o dia pra acabar com o meu sossego, trazendo de brinde aquelas lágrimas que inventam de aparecer nas horas mais impróprias e demoram pra ir embora.
Mas mesmo assim eu continuava a dizer pra mim e para as pessoas que me perguntavam, que estava tudo bem, que o que estava me tirando o sossego iria passar. E então eu sorria para que eles pudessem acreditar que aquelas palavras eram verdadeiras.
Um dia me disseram que uma mentira contada mil vezes vira uma verdade. Então eu vou continuar dizendo que esta tudo bem e que vai passar, até que um dia seja verdade.